Fernanda VasquesA dez mil metros de altura, o mundo parece insignificante, um borrão de azul e nuvens que não pode nos alcançar. Mas dentro daquela cabine, o universo se reduziu a poucos metros quadrados. O ar estava saturado com o cheiro de couro italiano das poltronas e aquele perfume amadeirado, caro e levemente cítrico do Pietro, que parecia grudar nos meus pulmões.Ele trancou a porta. O estalo metálico da trava foi seco, definitivo, e reverberou diretamente no meu baixo ventre como um comando.— Você disse que o voo de Nova York foi um comportamento de coroinha, Cavallini — provoquei, sentindo o calor do corpo dele antes mesmo de ele me tocar. Minhas costas bateram contra a porta de carvalho da suíte privativa, e o impacto enviou uma descarga elétrica pela minha coluna. — Prove.Pietro não respondeu com palavras. Ele nunca precisou de retórica quando seu corpo podia ditar as regras. Ele me prensou ali, as mãos grandes espalmadas na madeira, cercando meu espaço, me enclausurand
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