Fernanda Vasques
O som da porta da frente do pet shop sendo aberta foi o primeiro sinal de que o mundo lá fora ainda existia. Mas eu não queria o mundo. Eu queria o escuro. Eu queria o silêncio. Eu queria deixar de existir por alguns instantes, só para não ter que carregar o peso do que tinha acabado de acontecer.
— Fernanda? Meu Deus, Fernanda! — A voz da Clara ecoou pelo corredor vazio, carregada de um pavor que me fez encolher ainda mais contra o balcão.
Ela me encontrou no chão. Eu era um