Fernanda Vasques
O mundo não girava; ele se desfazia.
As luzes de LED brancas e modernas da nova unidade dos Jardins, que horas antes pareciam o símbolo do meu sucesso, agora feriam meus olhos como agulhas. O gosto do espumante na minha boca mudou de doce para metálico, um sabor químico que subia pela garganta e entorpecia minha língua.
— Fred… o que… — Minha voz não era minha. Era um rastro de som, lento, arrastado, como se as palavras tivessem que atravessar um oceano de lama.
— Relaxa, Ferna