(na voz do Matteo)Eu sempre achei que, um dia, as coisas iam “se encaixar”. Não no sentido de serem perfeitas — eu já tinha desistido dessa fantasia cedo —, mas de pelo menos pararem de cair uma em cima da outra o tempo todo.Só que a vida não funciona assim.Depois do sequestro, do hospital, da polícia, do advogado, da imprensa, o que sobrou não foi uma foto bonita de família emoldurada.O que sobrou foi a gente: eu, Emmy e Joana, cada um com uma cicatriz nova, tentando entender como é que se continua.A Emmy voltou a circular na casa. Primeiro com cuidado, depois com naturalidade. Voltou a pegar a Jojo na escola, voltou a brigar com a Lúcia por causa do excesso de sal na comida, voltou a sentar no sofá com notebook no colo, dividindo atenção entre pauta da faculdade e desenho infantil.Por fora, se alguém olhasse rápido, diria: “Ah, tudo voltou ao normal.”Por dentro, não. Por dentro, eu sentia que estava andando em piso recém‑colocado: parece firme, mas você sabe que o rejunte ain
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