Eu sempre achei que, quando alguma coisa importante mudasse na minha vida, o mundo ia marcar de um jeito especial. Um trovão dramático, uma música no fundo, a luz do sol entrando diferente pela janela. Coisas assim.Mas, na manhã seguinte ao dia em que eu, oficialmente, aceitei tentar alguma coisa com o pai da criança para quem eu trabalho, o despertador tocou igual, o ventilador fez o mesmo barulho irritante, e o teto continuava branco demais pra minha realidade.Abri os olhos devagar.Por alguns segundos, o cérebro tentou seguir o script antigo: “acorda, Emmy, café, Joana, escola, estágio, conta pra pagar”. Aí uma memória recente empurrou tudo: sofá, sala escura, a mão dele no meu rosto, o beijo, a conversa meio sussurrada sobre medo e vontade.Fechei os olhos de novo e enterrei o rosto no travesseiro.— Parabéns, Emmy — murmurei. — Você complicou tudo e ainda quer café como se nada tivesse acontecido.Levantei mesmo assim.Lavei o rosto, prendi o cabelo num coque improvisado, vesti
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