Lorena AzevedoEu continuava ali, paralisada na cadeira de ferro do pátio, como se meus membros tivessem sido chumbados ao chão. Minhas mãos, frias como o gelo da geada de inverno, tremiam tanto que eu mal conseguia mantê-las unidas sobre o colo. O choque tinha anestesiado meu corpo físico, mas minha mente corria em um labirinto de pânico absoluto. O choro silencioso, grosso e quente, inundava meus olhos e escorria pelo meu pescoço, molhando a gola do meu vestido. Eu queria gritar, queria levantar dali e correr em direção àquela mata escura, mesmo que estivesse grávida, mesmo que a noite estivesse sem lua, mas minhas pernas simplesmente não respondiam.— Droga... que hora vem essa emergência? Por que eles estão demorando tanto? — a minha voz saiu num sussurro fraco, arranhado pela garganta seca e pelo nó de desespero que me sufocava.A Tati, que permanecia ajoelhada ao meu lado segurando as minhas mãos com firmeza, apertou meus dedos com carinho e tentou manter o tom de voz mais brando
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