Rafael Ventura
— Inferno... — rosnei bem baixo, entre os dentes, sentindo o sangue ferver nas minhas veias.
A fúria queimava no meu peito como brasa acesa. Eu encarava o teto daquele quarto de hospital sem conseguir aceitar aquilo. Como é que um médico, um sujeito cheio de diplomas pendurados na parede, olhava na minha cara e dizia que a minha coluna estava intacta, mas não sabia me dar uma resposta do porquê o meu corpo do umbigo para baixo não respondia a nenhum comando meu? Era inadmissível.