Lorena AzevedoEu cheguei a correr. Quando vi aquele pônei levantar as patas da frente e a minha filha escorregar do arreio, um medo gelado percorreu toda a minha espinha e congelou o meu sangue. O grito da Vitória foi o som mais aterrorizante que já ouvi em toda a minha vida. Corri com todas as forças que me restavam, desesperada para evitar o pior, mas o Rafael foi infinitamente mais rápido.Até agora, eu não sei explicar ao certo como ele fez aquilo. Não há explicação lógica. Em um segundo, o meu marido estava ali, caido na sombra daquela cadeira de rodas maldita, com o olhar perdido no vazio. No segundo seguinte, como se um raio tivesse cortado o céu e atravessado o corpo dele, o Rafael simplesmente se lançou para o ar, rasgou a poeira do pátio e estava no chão, abraçado com a nossa filha, protegendo o corpinho dela com o próprio peito.As lágrimas vieram em turbilhões. Não eram lágrimas de dor ou de desespero, mas sim uma avalanche de alívio e espanto. Ver o homem da minha vida
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