Rafael VenturaO ronco do motor do trator John Deere ecoava pelo descampado da fazenda Ventura, uma sinfonia de ferro e força que, em qualquer outro dia da minha vida, seria o suficiente para acalmar o meu juízo. O sol de fim de tarde batia contra o para-brisa da cabine climatizada, dourando o horizonte das minhas terras, onde a plantação se estendia até perder de vista. Eu estava ali, com as duas mãos enormes firmes no volante, os olhos fixos na linha do talhão que eu precisava alinhar para a próxima semeadura, mas a verdade... a verdade pura e nua é que a minha cabeça não estava no campo.Minha cabeça estava trancada naquele quarto do casarão, a alguns quilômetros dali, junto com a Lorena.— Porra, Rafael... Foca na lida, homem — resmunguei para mim mesmo, apertando o volante com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos.Ajeitei o chapéu de boiadeiro na cabeça, tentando afastar a imagem da minha boneca brava, com as mãos nas quadris, me ameaçando com uma almofada. Dois
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