Lorena AzevedoO sol do Rio de Janeiro entrava pelas frestas da janela de madeira em Santa Teresa, trazendo um calor que já começava a pesar logo cedo. Acordei com o corpo moído, a barriga de oito meses parecendo uma âncora que me prendia à cama. Passei a mão pelo ventre, sentindo um movimento lento ali dentro, e fechei os olhos com força.A imagem dele de toalha, o choque nos olhos castanhos, a voz rouca chamando meu nome... Tudo voltou como um flash doloroso. Balancei a cabeça freneticamente, tentando espantar o fantasma de Rafael Ventura. Ele era o passado. Um passado que me expulsou sob chuva e ofensas.Na mesa da cozinha, o cheiro de café coado tentava me trazer de volta à realidade. Tati já estava de pé, observando-me com aquele olhar de raio-X que só as melhores amigas têm.— Você está aérea, Lorena — Tati disse, empurrando uma caneca para mim. — Como foi a noite?— Ruim. Não conseguir ter um sono tranquilo, e minha cabeça não para — suspirei, sentando-me com dificuldade. — Tat
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