O hospital não fazia parte da rotina de Pedro Felipe.Ele entrou já impaciente, sustentando o peso do corpo do amigo no próprio ombro, atento demais aos passos, às portas, ao chão claro que parecia sempre limpo demais para a urgência que carregava.— Foi do nada — dizia o outro, pálido, tentando parecer melhor do que estava. — Tontura, falta de ar…Pedro assentia, mas os olhos já procuravam alguém. Não por socorro — por comando. Sempre foi assim. Ele entrava nos lugares esperando entender como funcionavam.Foi quando viu.Não de imediato. Não o rosto.Foi o jeito.A postura firme demais para alguém tão nova. A voz baixa atravessando o corredor com autoridade contida. O jaleco ajustado, os movimentos precisos, sem pressa inútil.Pedro diminuiu o passo.Estela estava de perfil, explicando algo a uma enfermeira. O cabelo preso, o semblante sério, quase austero. Não havia sobra nela. Nenhuma hesitação. Nenhum traço da mulher que ele conhecera nos intervalos da noite, nas conversas longas
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