A manhã começou sem anúncio.Estela já estava na cozinha quando Pedro apareceu. Camiseta velha, cabelo desalinhado, café servido antes de qualquer palavra. Abriu a geladeira, pegou fruta, encostou no balcão ao lado dela como se aquilo sempre tivesse sido permitido.— Você sempre corta assim torto — ele comentou, olhando a tábua.— Funciona.— Funciona mal.Ela empurrou o ombro dele de leve, sem olhar.— Vai reclamar ou vai ajudar?A faca mudou de mão. Não houve cuidado especial no gesto. Nem tensão.— Eu ajudo. Mas reclamo.Laura observava da mesa, mexendo o café com atenção suficiente para registrar demais.— Vocês parecem um casal velho brigando por causa de cozinha.— Mãe — Estela respondeu, automática.Pedro riu.— Casal velho sobrevive. Isso é elogio.Laura sorriu, satisfeita demais para alguém que não pretendia concluir pensamento algum.Marcus entrou falando alto, ocupando o espaço como sempre.— Quem fez es
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