Não importava se era segunda ou quarta-feira. Os dias tinham perdido contorno desde que Estela voltara da casa nova da mãe. O tempo parecia um corredor comprido demais, iluminado por lâmpadas frias que nunca se apagavam.
Ela acordava, vestia-se, ia. Funcionava.
Vestiu o jaleco com a mesma precisão com que fazia tudo ultimamente — não por confiança, mas por necessidade. Prendeu o cabelo, conferiu o crachá, respirou fundo uma única vez antes de entrar no setor.
Respirar duas vezes significaria