O beijo não cessou. Ele apenas mudou. De urgente, passou a profundo. De faminto, passou a carregado de intenção. Henrique deslizou os lábios pelos meus devagar, como se quisesse memorizar cada reação minha. Cada suspiro que escapava. Cada arrepio que denunciava o quanto eu estava perdida ali. As mãos dele subiram pelos meus braços, lentas agora, quase reverentes. Como se aquele fosse o último instante antes de tudo se tornar real demais. — Olha pra mim — pediu, a voz baixa, firme. Abri os olhos. O olhar dele me atravessou. Não havia mais luta ali. Nem culpa. Nem tentativa de controle. Só desejo. E algo perigosamente parecido com necessidade. Henrique encostou a testa na minha, respirando fundo, como se estivesse se alimentando do ar entre nós. — Eu pensei em você deitada ali, no quarto ao lado — confessou. — Cada segundo. Meu coração disparou. — Eu tentei dormir — respondi. — Juro que tentei. Ele sorriu de leve, um sorriso tenso, carregado de tudo o que não foi dito nos
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