O dia seguinte amanheceu pesado. Permaneci em casa, mas não havia conforto algum ali. Cada pensamento me levava de volta a Henrique — à intensidade do que havíamos compartilhado, ao calor do toque que ainda queimava minha pele, à culpa que me consumia por ter cedido ao desejo. E agora, somado a tudo isso, havia o pressentimento cruel: a possibilidade de uma vida crescendo dentro de mim, sem que eu tivesse preparado meu coração ou minha mente para isso. Tentei me distrair, organizei a casa, olhei a rua pela janela, mas nada afastava a ansiedade. Cada barulho fora do apartamento parecia amplificado, cada carro, cada risada, cada som de passos me lembrava dele, de sua presença, de como ele me fazia sentir de forma incontrolável. Em um impulso, saí para caminhar. A rua estava movimentada, mas minha mente estava em outro lugar. Foi então que meus olhos pararam em uma vitrine: uma loja de bebê. Roupinhas minúsculas penduradas com cuidado
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