Quando ele se levanta e simplesmente encerra a conversa, como se tivesse acabado de decidir o cardápio do dia seguinte, eu demoro alguns segundos para entender que aquilo foi… o fim. Sem toque, sem aproximação, sem nada além daquela sentença jogada no meio da sala como uma bomba silenciosa. — Boa noite, Marília. — ele diz, num tom baixo, controlado, já caminhando em direção à porta. E vai embora. Assim. Eu fico sentada, com a taça ainda na mão, sentindo o vinho pesar na língua, no estômago, na consciência. Um alívio estranho me invade, imediato, quase vergonhoso. Eu realmente achei que começaria ali. Que ele viria até mim, que me tocaria, que exigiria qualquer coisa. Um arrepio percorre minha espinha só de imaginar, e eu fecho os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando expulsar a imagem da minha cabeça. Mas esse alívio não é paz. É só uma pausa. E pausas, eu estou começando a entender que são perigosas. Eu volto para o quarto praticamente no automático. O caminh
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