Os dias passam com uma lentidão estranha, como se o tempo aqui dentro da propriedade tivesse um ritmo próprio, separado do resto do mundo. Ivan envia mensagens com frequência, e às vezes volta e sai de novo, sempre acompanhado, sempre envolto naquele silêncio funcional. E eu fico. Preencho o tempo como dá. Leio até cansar a vista, assisto coisas que mal registro, volto pra cozinha e passo horas com as mulheres, aprendendo receitas que nunca imaginei fazer. Tem algo quase terapêutico em cortar, misturar, provar. Em ter controle de alguma coisa, mesmo que pequena. Em um desses dias, uma delas me ensina tricô. Eu rio no começo, achando improvável demais pra minha vida, mas quando percebo, estou ali, concentrada, contando pontos, errando, recomeçando. Ocupando a cabeça e ugindo dos pensamentos que sempre acabam voltando quando fico parada. Ivan manda mensagens às vezes. Curtas. Diretas. Quase frias. “Cheguei.” “Tudo certo.” “Volto em dois dias.” Nada que abra espaço pra conversa, m
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