A venda some de novo de uma vez só, arrancada sem cuidado, e a luz volta a invadir meus olhos como um choque. Eu pisco rápido, tentando enxergar, tentando entender… e quando a imagem finalmente se ajusta, meu corpo inteiro trava. É mesmo o Jonas. Por um segundo, eu acho que é algum tipo de alucinação, alguma peça da minha própria cabeça tentando me quebrar de vez. Mas não. É ele mesmo. O mesmo rosto, mais duro e mais fechado, mais distante do que eu lembrava. Eu tento falar, mas o pano ainda está na minha boca, abafando tudo. Um som inútil, desesperado, escapa de mim. Jonas inclina levemente a cabeça, me analisando, me vendo pela primeira vez em muito tempo, como se tivesse tentando me reconhecer. Então ele estende a mão e arranca o pano. O ar entra com força, e eu puxo uma respiração profunda antes mesmo de conseguir organizar qualquer palavra. — Tá confortável? — ele pergunta, num tom carregado de ironia, quase debochado. Eu sinto a raiva subir antes do medo. — Me dei
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