O vento batia no meu rosto com cheiro de sal, e por alguns minutos eu consegui esquecer tudo: vila, pai, mentiras, nomes trocados, portas azul-claro que não deviam ser abertas. O mar tinha um azul que doía de tão bonito, e os meninos estavam jogados no deque, rindo, molhados, elétricos como se tivessem engolido o próprio oceano. Marcelo deixou o comando nas mãos de um homem mais velho, pele curtida de sol, olhar atento — devia ser o capitão. Ele veio na minha direção, segurando uma máquina fotográfica. Eu estava tentando equilibrar o celular enquanto Bento fazia careta e Noah ameaçava empurrá-lo na água de novo. — Use isso — ele disse, estendendo a câmera. Eu olhei para o objeto e depois para ele. Não dava para saber se aquilo era uma ordem ou um pedido silencioso de desculpas. — É melhor que celular — completou, a voz menos dura. Peguei a câmera com cuidado, como se fosse algo frágil demais para as minhas mãos. Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele suspirou. — Sobre
Ler mais