O restaurante ficava quase escondido entre as pedras e o mar, como se tivesse sido esquecido pelo resto da cidade. Escolhemos um lugar parecido com a vila, mas mais isolado, mais silencioso, com cheiro forte de peixe fresco e maresia grudando na pele. O céu estava claro, mas o vento vinha gelado, levantando as pontas do meu cabelo e bagunçando meus pensamentos já desorganizados. Assim que desci do carro, avistei Cristina encostada na mureta de pedra, olhando o mar. Quando ela me viu, abriu um sorriso pequeno, contido, e caminhou na minha direção. Nós nos abraçamos forte, daquele jeito que mistura saudade com necessidade. — Vou esperar aqui. — Rodrigo avisou, fechando a porta do carro. — Não precisa, Rodrigo. Pode voltar. Talvez precisem de você lá na casa. Ele negou com a cabeça, respeitoso e firme. — Recebi ordens para levá-la de volta. Você pode levar o tempo que quiser. Senti um leve incômodo. Parece que Marcelo estava de olho em mim, e nos meus passos. Assenti, sem d
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