Rafael foi quem recebeu todos. Abriu a porta com a postura correta, o sorriso contido, a educação impecável. Nada além do necessário. Vitória percebeu o detalhe antes mesmo de atravessar o hall: ele estava inteiro ali — presente demais para alguém que, semanas antes, mal sustentava o próprio silêncio. Ela se aproximou e, sem hesitar, segurou o braço dele. O gesto foi simples. Rafael enrijeceu por um segundo quase imperceptível, mas não se afastou. Vitória manteve a mão ali, leve, firme, como se sempre tivesse sido assim. Os olhares se cruzaram no ar. Ninguém comentou nada. Jane sorriu, surpresa, mas não disse palavra. Augusto observou em silêncio. Os avós de Vitória trocaram um olhar rápido, confuso. Verônica franziu o cenho por um instante, como quem tenta entender algo que não foi anunciado. — E o Gustavo? — Jane perguntou, quebrando a suspensão do momento. — Viajando a negócios — respondeu Verônica. — Volta pouco antes do casamento. A conversa seguiu. Assuntos banais. C
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