Vitória caminhava ao lado de Rafael pelos corredores da agência, o passo dele sempre meio centímetro à frente, como se estivesse acostumado a conduzir decisões antes mesmo que elas fossem verbalizadas. Ele cumprimentava as pessoas com educação objetiva, fazia perguntas diretas, analisava currículos com rapidez. Ela observava. Não interferia.Sentaram-se diante de uma mesa ampla. Um a um, as funções surgiram: motorista, cozinheira, jardineiro, empregada doméstica. Rafael avaliava rotina, confiança, disponibilidade. Vitória respondia quando perguntada, com frases curtas. No fim, os quatro estavam escolhidos. A impressão de ordem ficou registrada em papéis assinados e apertos de mão.No caminho de volta, o carro seguiu em silêncio por alguns minutos. Vitória olhava a cidade passar pela janela, até falar, sem mudar o tom.— Nós não precisávamos de tudo isso.Rafael desviou o olhar rapidamente para ela.— Precisávamos, sim.— Não precisava de motorista. Nem de jardineiro. Nem de cozinheira
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