Terceira noite de casa cheia. TERCEIRA. Se meu pai fosse uma lenda urbana, eu já estaria quase acreditando que ele não existia.Tentei falar com minha mãe, que também não me respondeu, parecia tudo calmo demais.A cozinha estava um caos delicioso, cheiro de cordeiro, gente rindo, Joaquim contando histórias do Brasil e eu, finalmente, começando a respirar sem sentir um elefante na nuca.Aí começou o burburinho.Primeiro baixo, depois crescendo como uma onda prestes a arrancar a porta. Olhei pela janelinha da cozinha… e pronto. Minha paz evaporou.Lá estava meu pai.E não veio sozinho.Trouxe a caravana do apocalipse: secretário, três seguranças e a polícia.O restaurante, que minutos antes fervia de vida, encolheu.Meu pai tinha esse dom: sugar o oxigênio de qualquer lugar.Demir estava de pé, postura digna, esperando ser o alvo, mas Yaman Karaman nem olhou para ele. Os olhos dele varriam o salão como se estivessem caçando.Respirei fundo, empurrei a porta e saí.— Boa noite, senhor Ah
Ler mais