A VÉSPERA A mansão tinha um silêncio diferente naquela noite. Não era o silêncio de casa vazia, que eu já conhecia bem. Era o silêncio de véspera. Aquele peso gostoso no ar, quando alguma coisa boa está prestes a acontecer e você sente cada segundo passando devagar, como se o tempo quisesse prolongar a expectativa. Amanhã seria pequeno no tamanho, mas gigante no que importava. Jardim dos fundos, só as pessoas que amamos, um juiz de paz que a Elara conseguiu com uma amiga. Nada de salão, nada de lista de convidados que a gente nem lembra o nome. Era o oposto completo daquele primeiro contrato. E eu tinha escolhido cada detalhe. Eu estava sentada na beirada da cama, sem conseguir dormir. O vestido azul-marinho pendurado na porta do closet – simples, com um recorte no ombro que me fez sorrir quando experimentei, numa tarde comum, sem fazer daquilo um evento. Só gostei e comprei. A janela estava entreaberta, e o vento de São Paulo de madrugada trazia aquele cheiro de chuva que ainda
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