DEPOIS DO DEPOISAcordei no meu próprio quarto, olhei pro relógio e já eram sete e quinze da manhã.Do lado onde deveria ter alguém, o lençol estava frio. Nem precisei pensar muito pra saber o que tinha acontecido: eu, de novo, no mesmo automático de sempre – levantando de madrugada, atravessando o corredor no escuro, voltando pro meu canto, pro território que minha cabeça ainda insiste em classificar como seguro. É tipo um bicho que não percebeu que a gaiola já tá aberta há tempos.Lavei o rosto, prendi o cabelo num coque frouxo e desci.O Vincent já estava na cozinha. Calça social, camisa branca com as mangas dobradas até o antebraço, a caneca preta na mão. Quando passei pela porta, o olhar dele veio direto pra mim – mas não era aquele olhar de segurança que ele costumava ter, de avaliar ameaça. Era outra coisa. Um olhar que eu finalmente aprendi a dar nome, e é justamente por saber o que significa que ele me desestabiliza mais do que antes, quando era só um mistério.— Bom dia — fa
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