A ressaca não veio como uma dor de cabeça, mas como uma clareza brutal.Clara acordou na cama king size de Ricardo, o cheiro dele ainda impregnado nos lençóis de seda preta, misturado ao cheiro de álcool que exalava de seus próprios poros. O sol do meio-dia entrava pelas frestas da cortina blackout que ela esquecera de fechar completamente.Ela se levantou e caminhou até a janela. Lá embaixo, a área da piscina era um cemitério de copos plásticos, boias murchas e garrafas vazias. A água, antes cristalina, estava turva. O gramado perfeito estava pisoteado.Ontem, aquilo parecia uma vitória. Hoje, parecia apenas lixo.— O que eu estou fazendo? — ela sussurrou, a voz rouca.Ela tinha oitenta e quatro dias. E tinha gastado um deles transformando sua casa em um chiqueiro e vomitando em um arbusto, tudo para chamar a atenção de um homem que preferiu dormir em um hotel a olhar para ela.Se ela morresse hoje, qual seria seu obituário? "Clara Albuquerque, esposa troféu que surtou e morreu de ci
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