Capítulo 6: O Preço do Prazer

Do outro lado do mundo, a doze mil metros de altitude, o jato executivo Gulfstream G650 cortava o céu noturno sobre o Atlântico, iniciando os procedimentos de descida para São Paulo.

Ricardo Albuquerque estava sentado em sua poltrona de couro, massageando as têmporas. Ele não deveria estar ali. Deveria estar em Tóquio, fechando o contrato do século. Mas uma ligação histérica de sua mãe, seis horas atrás, mudara tudo.

"Ela enlouqueceu, Ricardo! Quebrou a cômoda Luís XV! Me expulsou de casa como se eu fosse uma vagabunda! Você precisa internar essa garota!"

Os gritos de Elvira ainda ecoavam em sua mente. Ricardo teve que pedir desculpas aos investidores japoneses, alegando uma "emergência familiar crítica", e transferir o restante das negociações para uma videoconferência segura que ele conduziu durante o voo.

Ele não estava voltando por amor. Estava voltando por controle. Clara havia quebrado as regras do contrato silencioso deles: ser invisível, ser dócil, ser perfeita. Quebrar móveis e expulsar sua mãe era um pedido de atenção desesperado, uma birra infantil que ele precisava punir com frieza e lógica antes que vazasse para a imprensa.

— Senhor Albuquerque, pousaremos em vinte minutos — a voz do piloto soou no interfone. — O sinal de celular já deve estar disponível.

Ricardo pegou o aparelho sobre a mesa de mogno e desativou o Modo Avião.

O celular vibrou violentamente em sua mão, uma enxurrada de e-mails e mensagens represadas entrando de uma vez. Ele ignorou as mensagens da mãe e foi direto para as notificações do banco, que sempre tinham prioridade.

Uma sequência de mensagens de compras aprovadas em valores absurdos em lojas que ele nunca viu. Começou a considerar que o cartão secundário da esposa havia sido roubado. Afinal ela nunca o utiliza sem autorização prévia. 

Seus olhos focaram na tela e, por um segundo, ele esqueceu como respirar.

Banco Central: Transação Aprovada. R$ 20.000,00. Estabelecimento: Boate Pandora - Serviços de Acompanhante. Titular: Cartão Adicional (Clara).

O sangue de Ricardo gelou e, em seguida, ferveu.

Não era uma compra de joias. Não era um carro. Era uma boate. E "serviços de acompanhante".

A imagem de Clara — sua esposa tímida, virgem e puritana — em uma boate suja, pagando por um homem, atingiu seu ego com a força de um trem de carga. A irritação fria que ele sentia pela mãe desapareceu, substituída por algo primitivo, escuro e violento.

— Mude a rota do carro — Ricardo rosnou para o segurança que viajava com ele. — Não vamos para a mansão.

— Para onde, senhor?

Ricardo olhou para a notificação, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o celular.

— Para a Boate Pandora. E mande a equipe de segurança limpar a entrada. Eu vou entrar chutando a porta.

repetição: 

A imagem de Clara — sua esposa tímida, virgem e puritana — em uma boate suja, pagando por um homem, atingiu seu ego com a força de um trem de carga. A irritação fria que ele sentia pela mãe desapareceu, substituída por algo primitivo, escuro e violento.

— Mude a rota do carro — Ricardo rosnou para o segurança que viajava com ele. — Não vamos para a mansão.

— Para onde, senhor?

Ricardo olhou para a notificação, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o celular.

— Para a Boate Pandora. E mande a equipe de segurança limpar a entrada. Eu vou entrar chutando a porta.

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