A manhã chegou pesada, cinza, como se o mundo soubesse.Eduarda já estava na delegacia desde cedo, sentada com postura firme, revisando mentalmente tudo o que sabia — e, principalmente, tudo o que ainda não fazia sentido.Pedro chegou pouco depois, ainda com a mesma roupa da noite anterior. O rosto denunciava o cansaço, mas era o olhar inquieto que chamava mais atenção.— Já falaram com ela? — perguntou direto.Eduarda negou com a cabeça.— Ainda não. Vão começar o depoimento agora.Ele assentiu, passando a mão no rosto.— Eu vou esperar. Não saio daqui sem falar com ela.Eduarda apenas concordou. Sabia que não adiantava insistir.Pedro se sentou, inquieto, as mãos entrelaçadas, o corpo inteiro tenso. Ele mesmo tinha vindo dirigindo, em silêncio, depois que Daniel precisou ir para o trabalho. E agora… só restava esperar.⸻Na sala de interrogatório, Letícia entrou alguns minutos depois.O ambiente era frio, impessoal. A cadeira desconfortável, a mesa separando, e o delegado já sentado
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