O delegado manteve o olhar firme enquanto a tensão tomava conta da sala. Então ele se voltou levemente para Carla, a voz controlada, mas carregada de intenção.— Doutora… dona Carla, a senhora poderia repetir o que disse há alguns minutos?Carla assentiu, sem hesitar.— Claro.Mas antes que ela continuasse, Helena se antecipou, a voz já carregada de nervosismo.— Isso é mentira! — disparou. — Ela brigou comigo recentemente, ela quer se vingar, está inventando tudo isso!O delegado levantou a mão, firme.— Senhora Helena, silêncio.O tom não deixou espaço para discussão.O olhar dele voltou para Carla.— Pode continuar.Carla respirou fundo, como quem sabia exatamente o peso do que estava prestes a dizer.— Eu vou começar do princípio, doutor delegado.A sala pareceu prender a respiração.— Quando a gente era adolescente, todas as meninas da nossa idade começaram a menstruar… era algo natural. Só que a Helena não teve.Helena ficou imóvel.Mas o olhar já denunciava o início do colapso.
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