A cela era fria.
Silenciosa demais.
Letícia estava sentada no banco de concreto, os braços abraçando o próprio corpo, como se tentasse se manter inteira. O tempo parecia não passar ali dentro.
Ou talvez estivesse passando rápido demais.
Ela nem sabia mais.
A cabeça girava.
As imagens voltavam em fragmentos.
Helena.
O banheiro.
O sangue.
A polícia.
A voz do policial ecoando.
“Morte de Juliano Bittencourt.”
Ela levantou o rosto de repente, como se ainda estivesse tentando entender aquilo.
— Eu ne