POV Liah A lua não sangrava esta noite; respirava. Eu escutava esse som antigo no fundo da garganta do mundo, o entra e sai do ar gelado pelas fendas das torres, a brisa roçando as bandeiras, como se o céu inteiro estivesse tentando se acalmar antes de confessar um pecado. A pedra sob meus pés estava morna do fogo que dormia nas entranhas do castelo; a pele do meu ventre, fria de expectativa. Três luas é muito tempo para um coração que desaprendeu a descansar. Mas, aqui, entre paredes que já ouviram todas as juras e todas as mentiras, eu decidi: hoje, eu não corro. Hoje, eu não peço licença ao passado. Vesti negro sem joias. O tecido abraçou meus ombros como noite líquida. Deixei o cabelo solto, sem coroas, sem ferro, que o peso, desta vez, fosse só o do meu desejo e o do que cresce em mim. Não chamei ninguém. Não anunciei nada. Apenas passei pelos corredores com o passo de quem vai ao encontro do que a escolheu há muito tempo: o meu próprio corpo. No pátio interno, a água da fonte
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