A mão de Dante ainda está na minha, mas o ar no quarto mudou.Helen nos observa da cama, os olhos vermelhos, o rosto marcado por lágrimas recentes. Há algo na forma como ela nos olha — não é só ódio, não é só mágoa. É cansaço. Um cansaço profundo, de quem lutou batalhas demais e perdeu todas.— Vocês podem, por favor, não fazer isso na minha frente? — A voz dela é um fio, mas cada palavra corta. — Não aqui. Não agora.Solto a mão de Dante imediatamente, como se o toque queimasse. Meus olhos encontram os de Helen, e algo inesperado surge dentro de mim: preocupação. Preocupação genuína por essa mulher que tentou destruir minha vida.— Como você está? — pergunto.Helen ri. Um som amargo, sem humor.— Como eu estou? — Ela balança a cabeça, os olhos fixos em mim com uma intensidade cansada. — Você não podia esperar nem mais alguns minutos? Tinha que vir atrás dele agora?— Eu não vim atrás dele. — Minha voz sai calma, controlada, apesar do turbilhão interno. — Vim entregar informações que
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