A chuva começou antes do amanhecer.Grossa, pesada, incessante.Era como se o céu de Atenas resolvesse, enfim, desabar sobre tudo o que restava das mentiras, dos segredos, dos pactos de poder.Niko olhava pela janela do escritório, o rosto refletido no vidro.Atrás dele, Larissa permanecia em silêncio, sentada, observando-o.Sabia que aquela quietude escondia um turbilhão.O cofre de Karalis fora aberto naquela madrugada.Dentro, havia contratos, registros bancários, cópias de e-mails — provas irrefutáveis de que Elias Petros havia manipulado licitações, comprado jornalistas, e financiado campanhas políticas ilegais.Mas havia algo mais.Uma carta, antiga, com a caligrafia inconfundível de Elena Andreadis.Niko segurava o envelope como se fosse uma ferida aberta.— Ele guardou isso… — disse, a voz rouca. — A vida inteira.Larissa se aproximou, hesitante.— O que ela escreveu?Ele respirou fundo, abrindo a carta com mãos trêmulas.> “Meu filho,se um dia ler estas palavras, é porque a
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