Depois daquela noite, nada voltou a ser simples. Helena tentou evitar Miguel. Não por falta de desejo, mas porque ele despertava algo que ela havia jurado manter enterrado: esperança. E esperança era perigosa. Esperança enfraquecia planos. Ainda assim, seus passos a levavam de volta ao bar todas as noites, como se o corpo decidisse antes da razão. Miguel não a pressionou. Continuou tocando como se nada tivesse acontecido, mas os olhares duravam mais. Os silêncios carregavam promessas. Às vezes, quando ela passava por ele, sentia sua mão roçar a dela — sempre rápido, sempre intenso demais para ser acidental. Foi numa madrugada quase vazia que ele a convidou para caminhar. As ruas estavam úmidas, refletindo luzes quebradas. Helena sentia o coração bater forte, não de medo, mas de antecipação. Miguel andava ao lado dela, respeitando a distância, até que pararam diante de um rio silencioso. — Eu preciso te contar algo — ele disse. O tom era sério. Diferente. Helena virou-se
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