Letícia Bianchi O meu celular vibrou sobre a bancada de trabalho, o brilho da tela cortando a penumbra do meu ateliê. Quando vi os nomes — Júlia, Silvia e Hannah —, senti um aperto nostálgico no peito. Era a "noite das garotas", uma tradição que, meses atrás, eu frequentava com a sensação de estar interpretando um papel em uma peça de teatro que não me pertencia. Hoje, porém, ao atender, a sensação foi de estender a mão para o outro lado do oceano e encontrar um calor genuíno.A imagem surgiu, caótica e alegre. Silvia, com o brilho da maternidade recente, Hannah com seu sorriso contagiante e Júlia, a alma vibrante daquele trio.— Letícia! — elas gritaram em uníssono, a voz delas enchendo o meu ateliê de uma energia que eu sentia falta.— Meninas! — sorri, ajeitando o celular para que elas vissem o meu espaço, os croquis espalhados, a bagunça criativa que era, finalmente, a minha cara.— Queríamos te ver! — Silvia disse, ajeitando a Clara no colo, enquanto Hannah abria um vinho do ou
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