Letícia Bianchi Paris não é apenas uma cidade; para quem viveu uma vida inteira dentro de uma moldura, Paris é a prova de que a vida pode ser uma pintura sem bordas. Quando desembarquei no aeroporto Charles de Gaulle, a primeira coisa que me atingiu foi a luz. Uma luz cinzenta, filtrada pelas nuvens baixas da Europa, que não tinha nada de artificialidade brilhante e exigente de São Paulo. Aqui, eu era ninguém. E ser ninguém era a coisa mais emocionante que já me aconteceu. Eu escolhi Paris, mas, no fundo, Paris me escolheu. Eu me inscrevi em um curso de Design de Moda na "École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne"— um nome que, se mamãe estivesse por perto, teria sido motivo de um escárnio elegante. "Letícia, querida, Bianchis não trabalham com as mãos, Bianchis supervisionam", ela dizia, com aquela voz que parecia seda cortante. Trabalhar na empresa da família era a única concessão, uma forma de manter o controle, de garantir que eu estivesse sempre sob o radar, se
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