Letícia Bianchi
O barulho da cafeteira industrial sibilando era o único som que preenchia o vazio que eu sentia no peito. Sentada em uma mesa de canto, com o café gelado intocado à minha frente, observei a chuva fina caindo sobre a rua movimentada. Era uma cena tão comum, tão cotidiana, que eu me perguntei como nunca tinha reparado no quão sufocante o meu próprio "cotidiano" era.
Charles estava sentado à minha frente. Ele verificava o relógio pela terceira vez em dez minutos, impaciente, arrum