Augusto Vilar O tempo, para um advogado, é uma sucessão de prazos, audiências e cronômetros. Eu passei a minha vida inteira escravizado pelo tique-taque dos segundos, sempre tentando me antecipar ao próximo golpe, à próxima manobra, à próxima tragédia. Mas nada, absolutamente nenhum dos meus códigos de processo ou anos de estratégia, me preparou para a suspensão temporal que é o corredor de uma maternidade nas primeiras horas da manhã. Sabrina estava em trabalho de parto há doze horas. Doze horas em que eu oscilei entre o Robô Controlador que exigia relatórios constantes da equipe médica e o homem aterrorizado que só conseguia pensar que, se o universo quisesse me cobrar alguma dívida pendente, aquele seria o momento mais cruel para fazê-lo. Mas então, o som rasgou o silêncio do centro cirúrgico. Não foi um grito de dor, não foi um som metálico de hospital. Foi o choro dele. Um choro forte, exigente, cheio de uma vida que não pedia licença para existir. — É um menino lindo, Au
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