Sabrina Duran A luz da manhã estava começando a rastejar pelas frestas da persiana do meu apartamento, desenhando linhas de poeira dourada no ar pesado. O cheiro de café forte, que a Júlia tinha acabado de passar, tentava, sem muito sucesso, dissipar o rastro de adrenalina e medo que ainda parecia impregnado na nossa pele. Estávamos os quatro ali — eu, o Augusto, a Júlia e o Lian — jogados nos sofás como sobreviventes de um naufrágio que aconteceu em terra firme, cercados por paredes de mármore e promessas quebradas. — Isso foi uma loucura — a Júlia disse, quebrando o silêncio que durava há dez minutos. Ela balançava a cabeça, segurando a caneca de porcelana com as duas mãos, como se precisasse de algo sólido para se ancorar. — Sabrina, Augusto... eu li sobre essas coisas em roteiros de suspense psicológico, mas viver isso? Ver a Alvina ser levada, a denúncia, o Otávio... É um nível de depravação que a minha mente ainda está tentando processar. Nem tinha me recuperando da reportage
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