Maya chegou sem anunciar.Não porque quisesse surpreender, mas porque não precisava mais avisar cada passo. Tocou a campainha uma única vez, esperou, e quando a porta se abriu encontrou Enzo ali, com o sorriso pronto demais para ser contido.— Você veio — ele disse, como constatação.— Eu disse que vinha — Maya respondeu.Ele a abraçou sem força exagerada, sem drama, como quem confirma algo que já sabia. Orion observava da porta, em silêncio, respeitando aquele instante que não precisava de mediação adulta.— Entra — ele disse depois, simples.A casa estava igual. E não estava.Os objetos estavam nos mesmos lugares, mas havia algo diferente no ar — menos expectativa, menos tensão. A ausência tinha feito o que precisava fazer: retirara o peso da dependência e deixara apenas o vínculo que se sustenta por escolha.Maya deixou a bolsa no aparador, tirou os sapatos e respirou fundo, sentindo o chão conhecido sob os pés. Não houve aquele aperto no peito de quem retorna derrotada. Havia calm
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