Maya passou a noite acordada, mas não em desespero.Havia algo diferente naquela vigília silenciosa. Não era o medo que a mantinha alerta — era clareza. A família Alencastro sempre acreditara que o tempo trabalhava a favor deles. Que bastava pressionar com elegância, cercar com paciência e esperar o cansaço fazer o resto. Maya conhecia esse método. Crescera dentro dele.Por isso mesmo, sabia onde doía.Quando o dia clareou, ela já tinha tomado uma decisão.Não definitiva. Não explosiva. Mas estratégica.Levantou-se cedo, tomou banho, vestiu roupas simples e saiu do apartamento provisório com passos firmes. Não havia ninguém a seguindo, ao menos não de forma evidente. Ainda assim, escolheu caminhos cheios, mudou trajetos, entrou em lugares comuns demais para chamar atenção.O destino não era um escritório jurídico nem um café discreto.Era algo muito mais simples.Uma livraria pequena, antiga, daquelas que sobrevivem porque sabem ouvir mais do que vender. Maya entrou, respirou fundo o
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