A sexta-feira começou com uma decisão silenciosa.Maya percebeu isso ainda cedo, enquanto se vestia diante do espelho. Não havia ansiedade, nem aquela tensão antiga que costumava anteceder encontros importantes. O gesto era simples, quase banal: escolheu roupas confortáveis, neutras, que não comunicavam defesa nem provocação. Comunicavam presença.Ela sabia que iria à casa de Orion naquele dia.E sabia por quê.Não era para testar nada.Não era para marcar território.Era para estar.Antes de sair, arrumou o apartamento com cuidado desnecessário. Não por perfeccionismo, mas por respeito ao espaço que a acolhera quando tudo estava instável. Fechou a porta com calma, como quem sabe que pode voltar quando quiser — e isso muda completamente a sensação de partir.No caminho, pensou no quanto suas decisões já não eram reativas. Não estavam ligadas ao medo de perder, nem à vontade de provar algo. Eram respostas internas, alinhadas com o que havia se tornado essencial.Quando chegou, Enzo abr
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