Por muito tempo, eu achei que pertencer era um lugar físico. Uma casa, um endereço fixo, um sobrenome compartilhado. Cresci acreditando que, se eu me encaixasse direito, se fosse discreta o suficiente, se não ocupasse espaço demais, alguém um dia abriria a porta e diria: é aqui. Mas não foi assim.Pertencer, eu aprendi tarde demais, nunca teve a ver com portas abertas — teve a ver com não precisar se encolher para atravessá-las.Durante anos, vivi como quem caminha na ponta dos pés. Não porque quisesse, mas porque aprendi que existir por inteiro incomodava. Que minhas perguntas eram demais, meus sentimentos exagerados, minha dor inconveniente. Então me tornei especialista em sobreviver. Em observar antes de falar, em sentir em silêncio. Em ser útil, eficiente, correta. Invisível quando necessário. Eu sobrevivi bem assim, mas não vivi.Quando cheguei à mansão Monteiro, eu não estava procurando amor, nem família, nem futuro. Eu só precisava de trabalho, de estabilidade, de um lugar onde
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