Por muito tempo, eu achei que pertencer era um lugar físico. Uma casa, um endereço fixo, um sobrenome compartilhado. Cresci acreditando que, se eu me encaixasse direito, se fosse discreta o suficiente, se não ocupasse espaço demais, alguém um dia abriria a porta e diria: é aqui. Mas não foi assim.
Pertencer, eu aprendi tarde demais, nunca teve a ver com portas abertas — teve a ver com não precisar se encolher para atravessá-las.
Durante anos, vivi como quem caminha na ponta dos pés. Não porque