O portão da mansão Monteiro fechou-se com o mesmo ruído metálico de sempre, firme, preciso, quase reconfortante. Para quem vivia da segurança, aquele som significava controle. Para mim, significava rotina. E rotina, depois de tudo o que havíamos passado, era algo raro — precioso demais para ser ignorado quando algo destoava.Eu estava na guarita principal, analisando as imagens das câmeras, como fazia todas as manhãs. A troca de turnos havia sido tranquila, os relatórios da madrugada não indicavam movimentação suspeita, e a casa parecia respirar um tipo novo de paz. Helena estava se recuperando bem, Arthur havia retomado parte da agenda, Sofia voltara à escola. Laura estava presa. Oficialmente, a ameaça havia acabado. Oficialmente.Foi quando notei o carro.Um sedan escuro, parado do outro lado da rua, parcialmente encoberto pela sombra de uma árvore antiga. Não era incomum carros passarem por ali — a região era nobre, silenciosa, curiosos sempre apareciam. Mas aquele veículo não pass
Ler mais