Ana sentiu o incômodo de Natan no exato instante em que o contrariou. Não foi preciso palavra alguma. Bastou a forma como o corpo dele se fechou, o silêncio que veio rápido demais, o controle excessivo quando disse que tudo bem e que a deixaria onde ela precisasse ir. Havia um registro específico nele para aquele tipo de coisa. Um que não gritava, não discutia, apenas marcava território. Ela reconhecia. E, ainda assim, não ia ceder. Era a folga dela, rara, preciosa, e ela não queria abrir mão desse tempo só para evitar o desconforto dele, não depois do que tinham vivido naquela manhã. Precisava daquele momento para si, para pensar com calma, para tentar entender limites que já não pareciam tão claros quanto antes. Mesmo assim, a culpa veio. Não queria irritá-lo. Não queria empurrar aquilo para um lugar ainda mais tenso. Parte dela queria preservar aquele fio frágil que se formara entre os dois, mesmo sem saber exatamente o que era. Mas eu também tenho a minha vida, repet
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