Autorizaram sua entrada pouco depois das cinco. A UTI neurológica era mais silenciosa do que o restante do hospital, mas não menos intensa. Ali, o silêncio não significava paz, significava vigilância. O som ritmado dos monitores substituía conversas; cada bip era confirmação de estabilidade. O ar carregava o odor limpo e impessoal do antisséptico, como se nada humano pudesse escapar ao controle. Ele higienizou as mãos sem pressa, vestiu o avental descartável e atravessou a porta de vidro acompanhado por uma enfermeira. — Ela está estável — informou em tom baixo, respeitando o ambiente. — Ainda sob efeito da sedação. Vamos reduzir gradualmente nas próximas horas. Ele apenas assentiu. Quando se aproximou do leito, o impacto não foi dramático. Foi silencioso. Ana parecia menor ali. O curativo ocupava parte da lateral da cabeça, escondendo a área raspada para o procedimento. Havia acesso venoso no braço, sensores no peito, fios discretos monitorando cada variação fisiológica
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