Rogério entrou no quarto como quem retorna do trabalho.Tranquilo demais.Seguro demais.O simples som da porta se abrindo fez meu corpo inteiro se enrijecer. O olhar dele não era de carinho, nem de euforia. Era fome. Uma fome doentia, silenciosa, que me atravessou como um aviso.Ele largou a sacola no chão, passou a mão pelo cabelo, respirou fundo.— Voltei, meu amor.Meu coração disparou com tanta força que pensei que ele pudesse ouvir.— Fica quieta — disse, aproximando-se. — Não estraga tudo agora.Quando chegou perto demais, senti o pânico me subir pela garganta. Ele se inclinou, tocou meu rosto com os dedos frios e sussurrou no meu ouvido:— Se você gritar… vai ser pior.Você sabe que não adianta resistir.Meu corpo inteiro tremia.Então, como se mudasse de personagem, ele suavizou o tom.— Eu sei o que você gosta — murmurou, a mão descendo lentamente pela minha perna, percorrendo meu corpo como se tivesse direito sobre ele.O nojo foi absoluto.— Prefiro que você me mate — cons
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