A primeira mensagem chegou às dez da manhã.Número desconhecido.Mas o peso daquelas palavras eu reconheceria em qualquer lugar.“Você acha mesmo que vai ficar com ele?”Apaguei.Cinco minutos depois, outra vibração.“Não se faz de santa. Vagabunda sempre volta pro dono.”Meu estômago revirou.Deixei o celular de lado, respirei fundo, tentei seguir o dia.Mas o medo não some quando a gente ignora — ele se acomoda.Trinta minutos depois, a terceira mensagem veio mais longa. Mais cruel.“Você me pertence. Sempre pertenceu.Não vai ser agora que vai fingir que tem escolha.”Minhas mãos tremiam.Quinze minutos depois, a última — a pior:“Se continuar brincando de família feliz, alguém vai se machucar.”Não precisava dizer quem.Eu sabia.Sentei na beira da cama, o celular pesado demais na mão.A casa estava silenciosa. As crianças na escola. Guilherme fora, tentando segurar um mundo que desabava.Eu precisava fazer aquilo parar.E, naquele instante, com o medo falando mais alto que a razã
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