Guilherme atravessou a sala como um homem em queda.Passou por Dona Mirtes rápido demais, o ombro quase a atingindo, como se o corpo tivesse decidido ir antes da cabeça.— Menino! — ela chamou, assustada.Ele não respondeu.Desceu os degraus do jardim de dois em dois, o envelope amassado na mão, o peito queimando como se tivesse engolido fogo.Seu Sebastião, que aparava umas folhas perto da roseira, ergueu o rosto ao vê-lo daquele jeito.— Guilherme… tenha calma, meu filho — disse, largando a tesoura. — O que está acontecendo?Guilherme parou de repente, como se só agora tivesse lembrado que o mundo existia fora da dor.— O senhor… — a voz falhou — o senhor viu a Olivia?Seu Sebastião franziu a testa.— Hoje cedo? Não, não vi.Guilherme girou sobre o próprio eixo, o olhar varrendo o jardim, o portão, a lateral da casa.— Ela estava aqui… ela estava aqui — repetia, mais para si do que para qualquer um.Dona Mirtes apareceu na varanda, enxugando as mãos no avental, o rosto confuso.— Gu
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