Cinco anos haviam se passado desde que a poeira da mansão Valente assentara. O Hospital de Trauma Clarice Thorne agora era um marco na arquitetura do Rio de Janeiro, uma sentinela de vidro que refletia o azul do oceano. No entanto, o escritório de Claire, no trigésimo andar, não cheirava a antisséptico; cheirava a café arábica e ao aroma sutil de livros antigos. Era um santuário de silêncio absoluto, onde cada decisão tomada afetava o destino de milhares.Naquela tarde, o ar parecia subitamente mais frio. Sobre a mesa de carvalho negro — uma peça maciça que parecia ancorar Claire ao chão — repousava um envelope de papel pardo. Não havia selos, nem carimbos postais, apenas o nome "Claire Thorne" escrito em uma caligrafia técnica, quase geométrica. Fora deixado por um mensageiro que, segundo a segurança, usava um capacete escuro e desapareceu no tráfego de Santa Teresa em segundos.Dentro do envelope, Claire não encontrou cartas de resgate ou ameaças veladas. Havia um único pe
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