Londres recebeu Claire com sua característica cortesia cinzenta, um céu de chumbo que parecia pressionar as cúpulas históricas da cidade. A névoa sobre o Tâmisa era densa e fria, uma extensão natural do véu de mistério que ela agora tecia. Ao contrário de suas visitas anteriores, onde buscava refúgio ou treinamento, Claire entrava na metrópole agora como uma soberana das sombras, uma investidora cujo nome fazia o mercado financeiro prender a respiração.
O quartel-general da Thorne Capital em Belgravia mudara drasticamente nos últimos dois anos. Por fora, era uma mansão vitoriana impecável, fundindo-se à vizinhança diplomática. Por dentro, sob o comando de Marcus — um ex-analista de inteligência do MI6 que Claire resgatara da ruína profissional após ele denunciar uma fraude interna —, o edifício fora transformado em um centro de comando que faria inveja a muitas agências governamentais.
Claire desceu ao subsolo, onde o mármore dava lugar a painéis acústicos e luzes de LED azuladas. O