Parte I — HEITOR CASTRO O salão de reuniões subterrâneo, à prova de escutas e olhares curiosos, pulsava com a tensão que precede uma grande operação. O ar era denso com o cheiro de charuto e a arrogância de homens que se consideravam acima da lei. Ao redor da mesa de mogno, Paulo Arruda presidia, sua bengala batendo um ritmo impaciente no piso de mármore. Eu estava à sua direita, um observador silencioso, meu olhar calculando cada movimento, cada sussurro. Minha mente, no entanto, estava com Valentina. A imagem dela pálida e exausta na cozinha, há poucos dias, martelava em minha consciência. Eu a tinha visto rapidamente enquanto caminhava pelos corredores, e algo no seu olhar me dizia que ela estava sofrendo sob a pressão desta casa, muito além do que uma simples babá deveria suportar. Eu via como Beatriz a tratava com um desprezo que beirava a obsessão, mas eu não podia me dar ao luxo de investigar meus próprios sentimentos ou as estranhezas daquela mulher agora. À mesa, além de P
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